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Teste a Combustíveis

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Teste a Combustíveis - Página 2 Empty Re: Teste a Combustíveis

Mensagem por Convidad 6/2/2012, 19:21

Sim sim, concordo
os revoltados era a brincar obviamente, esqueci-me de lhe por o smile mas vou já tratar disso.
Essa do acp está bem lembrada e também me põe a pensar e a aproximar-me da vossa teoria...mas continuo a achar que não será assim tão obvio uma vez que até na noruega produtora de oleo, se queixam do mesmo.
Quanto aos dedos de testa ; não tenho dúvidas

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Teste a Combustíveis - Página 2 Empty Re: Teste a Combustíveis

Mensagem por Convidad 6/2/2012, 22:25

Dado que já partilhámos toda a nossa indignação sobre a (in)existente política de liberalização do preço dos combustíveis, entendo ser importante entrar um pouco na componente mais técnica. Assim sendo, e partilhando um pouco de conhecimento (há várias páginas no meio virtual que versam sobre este tema), optei por fazer uma resenha de várias páginas (incluindo estrangeiras) e num discurso directo, com "perguntas-respostas".

O que é a gasolina?

A gasolina é um combustível constituído basicamente por hidrocarbonetos (compostos orgânicos que têm na sua composição átomos de Carbono (C) e Hidrogénio (H) e, em menor quantidade, produtos oxigenados (não são mais do que compostos que possuem átomos de Oxigénio (O) em sua formula química. Os hidrocarbonetos constituintes da gasolina (os também denominados hidrocarbonetos aromáticos, olefínicos e saturados) são em geral, mais "leves" do que aqueles que compõem o gasóleo, na medida em que têm na sua constituição moléculas com cadeias carbónicas (cadeias com 4 a 12 átomos de Carbono (C). Além dos hidrocarbonetos e dos oxigenados, a gasolina possui ainda compostos de enxofre, compostos azotados e compostos metálicos, todos eles em baixas concentrações.

A gasolina básica (sem produtos oxigenados) é detentora de uma composição complexa. A sua formulação sugere a utilização de diversos processos químicos nobres e oriundas do processamento do petróleo como nafta que pode ser obtida através da destilação directa do crude, ou através da quebra de moléculas de hidrocarbonetos mais pesados (e que dão origem ao gasóleo), obtida de um processo que aumenta a quantidade de substâncias aromáticas e finalmente através de um processo que produz isso-parafinas de alta octanagem a partir de iso-butanos e olefinas), etc.

Qual é a diferença entre a gasolina dita "regular" e uma gasolina "premium"?

A gasolina "regular" é produzida pelas refinarias de petróleo e entregue directamente às companhias de distribuição. Esta gasolina tem na sua constituição uma mistura de naftas numa proporção tal que enquadre o produto que se pretende vender e de acordo com regulamentos próprios. É a gasolina disponível em todos os postos de abastecimento. No caso da gasolina "premium" há diferenças. Trata-se de uma gasolina que apresenta uma formulação especial. É também obtida a partir da mistura de naftas com elevados níveis de octanagem e que fornecem ao produto uma maior resistência à detonação, do que aquela fornecida pela gasolina tipo "regular".

Quando se comparam gasolinas de diferentes petrolíferas, que parâmetros estão em análise?

Entre outras, destacam-se as seguintes:

Aspecto

Teste que dá uma indicação visual da qualidade e da possível contaminação do produto. A gasolina deve apresentar-se límpida e isenta de contaminantes (e.g.: materiais em suspensão como água, poeira, ferrugem etc.). Estes, quando presentes, podem reduzir a vida útil dos filtros de combustível dos veículos e prejudicar o funcionamento dos motores. O teste é feito observando-se, contra a luz natural, uma amostra de 0,9 litro do produto contida em recipiente de vidro transparente e com capacidade total de 1 litro.

Côr

Teste que revela a tonalidade característica do produto. Quando as gasolina recebem aditivos, estão a incorporar um corante para diferenciá-la das demais, podendo apresentar qualquer côr, excepto azul (reservada para combustível aeronáutico) e rosa (reservada para a misturas formadas por Metanol, Etanol e Gasolina – MEG). As alterações na côr da gasolina podem ocorrer devido à presença de contaminantes ou devido à oxidação de compostos instáveis nela presentes (e.g.: olefinas e compostos azotados).

Teor de Enxofre

Teste que indica a concentração total dos compostos sulfurosos presentes na gasolina. O enxofre é um elemento indesejável em qualquer combustível devido à acção corrosiva de seus constituintes à promoção da formação de gases tóxicos como SO2 (dióxido de enxofre) e SO3 (trióxido de enxofre), que poderão ocorrer durante a combustão do produto.

Nos veículos equipados com elemento catalisador, quando elemento catalítico não é adequado ou quando não está devidamente dimensionado, o enxofre pode levar à formação de ácido sulfídrico (H2S) que é tóxico e apresenta odor desagradável.

A análise é feita incidindo raios X numa célula contendo uma amostra do produto. Neste teste, os átomos de enxofre absorvem energia de um comprimento de onda específico numa quantidade proporcional à concentração de enxofre presente na gasolina.

Destilação

A destilação é um dos testes que tem como objectivo avaliar as características de volatilidade da gasolina. O teste é feito efectuando uma toma de 100 ml da amostra do produto que é posteriormente colocado em um balão de vidro especial submetido a aquecimento para destilação em condições controladas.

O produto evapora-se, condensando e é recolhido numa proveta de vidro. Finda esta operação, as temperaturas anotadas são corrigidas tendo em linha de conta as perdas que ocorrem por evaporação de pequena parte do produto e naturalmente a pressão barométrica. Esse teste, além de ser usado no controle da produção da gasolina, pode ser utilizado para identificar a ocorrência de contaminação por derivados mais pesados como o gasóleo, óleo lubrificante, etc..

Pressão de Vapor Reid (PVR)

Tal como no teste anterior, a PVR tem como objectivo avaliar a tendência da gasolina em evaporar-se, de modo que, quanto maior é a pressão de vapor, mais facilmente a gasolina se evapora. Esse ensaio é utilizado, principalmente, para indicar as exigências que devem ser satisfeitas para o transporte e armazenamento do produto, de modo a evitar acidentes e minimizar as perdas por evaporação.

Número de Octanas (Octanagem)

A qualidade da gasolina é constantemente avaliada levando-se em conta a sua octanagem ou o seu Índice AntiDetonação (IAD). A octanagem de uma gasolina indica sua resistência a detonação, em comparação com uma mistura padrão contendo "iso-octano" (ao qual é creditado um número de octano igual a 100) e presente em uma mistura com "n-heptano" (número de octano igual a zero). Exemplio: uma gasolina terá uma octanagem igual a 80 se, durante o teste, apresentar a mesma resistência à detonação apresentada por uma mistura que contém 80% em volume de "iso-octano" e 20% em volume de "n-heptano".

A avaliação da octanagem da gasolina é justificada pela necessidade de garantir que o produto corresponde às exigências dos motores no tempo de compressão e inicio da expansão (quando ocorrem aumento de pressão e de temperatura) sem entrar em auto-ignição, o que como se sabe causa danos avultados nos motores.

Que métodos há para avaliar a octanagem de uma gasolina?

Essencialmente dois. O primeiro é o Método MON (Motor Octane Number) ou "Método MOTOR-ASTM D2700". Esse método avalia a resistência da gasolina à detonação quando está é queimada em condições de funcionamento mais exigentes e em rotações mais elevadas, como acontece por exemplo nas "picadas" do todo-o-terreno, em que há subidas de ladeiras com velocidade reduzida e ou nos casos de velocidade alta, ou ainda nas ultrapassagens (quando a aceleração é aumentada mesmo já estando o carro em alta velocidade). Já o segundo é o Método RON ( Research Octane Number) ou Método PESQUISA – ASTM D22699. Trata-se de um método que avalia a resistência da gasolina à detonação sob condições mais suaves de trabalho e a uma rotação inferior aquela avaliada pela octanagem MON. Acontece por exemplo, quando se arranca com o veículo num semáforo. O teste é feito em motores semelhantes àqueles utilizados para o teste da octanagem MON. Em ambos os testes recorre-se a motores especiais (motores CFR- Cooperative Fuel Reserarch), monocilindricos de razão de compressão variável, equipados com a instrumentação necessária e montados numa base estacionária).

Porque é importante conhecer a octanagem nos motores a gasolina?

É importante saber que, para cada motor, existe uma característica de resistência mínima a detonação, requerida e que tem de ser satisfeita. O uso de uma gasolina com octanagem superior aquela para o qual o motor foi projectado não trará nenhum ganho de desempenho. Já o uso de um combustível com octanagem menor do que aquela prevista para esse motor, causará perda de potência e aumento do consumo de combustível, podendo até mesmo causar danos no motor.

Índice Anti-Detonação (IAD)

Quando se pretende aferir a octanagem requerida pelos motores e que, consequentemente, deve ser satisfeita pelas gasolinas, alguns países (entre os quais EUA e Brasil), tratando-se de gasolina "Premium" – adoptam, em detrimento da octanagem MON ou RON, o índice antidetonante (IAD) como reflexo do desempenho anti-detonante do combustível.

O que sucede é que dependendo do motor do veículo e das condições em que o mesmo opera, o desempenho anti-detonante do combustível pode ser melhor representado, em alguns casos pela octanagem MON em outras pela octanagem RON. Com o índice antidetonante (IAD), simula-se o desempenho anti-detonante do combustível para um universo mais amplo de veículos o que coloca em vantagem em relação a octanagem MON ou RON, separadamente. O IAD é definido como a média entre as octanagens MON e RON, ou seja: IAD = (MON + RON)/2

Espero que tenha sido esclarecedor.

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Mensagem por albatroz 6/2/2012, 23:28

excelente post Teste a Combustíveis - Página 2 146121
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Teste a Combustíveis - Página 2 Empty Re: Teste a Combustíveis

Mensagem por Convidad 7/2/2012, 08:26

albatroz escreveu:excelente post Teste a Combustíveis - Página 2 146121

Obrigado albatroz. Mais do que a qualidade do "post" pretendo a partilha de conhecimento. Importa ao consumidor perceber o que está em causa quando se fala em análise comparativa de combustíveis, i.e., que parâmetros são avaliados e porquê.




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